Giovana, but you can call me Gi. About me? JUst a little dreamer and music lover. I like Movies · Music · Photography · Reading · Dreams · Glee · Twilight · McFly · Jericho · HotChelleRae · Dianna Agron · Dot Jones · Mark Salling · Chord Overstreet · Nash Overstreet · RKFollese · Jamie Follese · Ian Keaggy · Cory Monteith · Kevin McHale · Harry Shum · Tom Fletcher · Harry Judd · Dougie Poynter · Danny Jones · Robert Pattinson · Pink · Snow Patrol · Coldplay · Oasis · Queen.
Dreamer (s) Online
Pensar em você, parece difícil
Olhando pro teto
Ouvindo sons estranhos
De cada objeto.

Você não sai da minha cabeça,
Alguns podem dizer ser insano
Mas, te juro, não é sinal de fraqueza
Eu somente amo.
-
Amo, seu jeito
perfeitamente profano
Humano
Sim, eu amo.
-
Eu ali, quieta
Aos seus olhos, tão invisível
Devesse talvez brincar de boneca
Ao invés de sonhar com um amor impossível.
-
Sim, eu amo.
-
Amo seu jeito moleque,
seu coração tão profundo
Mas temo que estrague o que temos
Esse sentimento tão imundo.
-
Eu cansei de me esconder,
queria mudar esse enredo.
Sempre tentando me conter
Mantendo sentimentos em segredo.
-
Sim, eu amo
Amo cada momento
Mas tenho medo de admitir
que interpretei erradamente este intento.
-
Intento, intento, intento
Que neste ano
Eu não fiquei só ao relento
Sim, eu amo.
-
Sim, eu amo! AMO! AMO! … amo,
Estou amando.
Apaixonada perdidamente por um anjo,
que só prevejo me desprezando.


Era um sábado a noite, quase domingo. Eu já contava as horas para poder ir pra casa naquela fria noite da capital paranaense. Dei um último suspiro antes de meu ônibus parar naquele terminal mais uma vez. Quem sou eu? Para muitos, um mero cobrador. Já perdi a conta do número de pessoas que passam por mim como se eu não existisse, nem um sorriso, raros “boa noite”… Mas sempre faço questão de retribuir com um sorriso àqueles que mesmo assim, notam minha presença. Seja para um cumprimento informal ou um rápido bate-papo. Afinal, é tudo que o emprego tem a me oferecer no quesito pessoas. Elas sempre vem e vão, com pressa, às vezes nem tanto, mas eu continuo ali, observando. Estou acostumado a não ser notado, exceto quando alguns marginais - ou até mesmo desesperados - olham para mim como fonte de dinheiro rápido. Sei que corro perigo, mas também sei que é desse jeito que coloco pão em casa. Assim que meu companheiro, o motorista do veículo, o desligou, eu desci do meu lugar para esticar as pernas que já se faziam cansadas da falta de fadiga. Da porta do ônibus, observei as pessoas correrem para entrar. Me divertia, como a pressa era a mesma, mesmo com um ônibus desligado e que não sairia do lugar em pelo menos 5 minutos. Fiquei pensando por alguns segundos no quanto eu ainda tinha que aguentar, para assim poder ir para casa. Ver minha família, um programa na televisão, comer algo quente naquela gélida noite curitibana ou, simplesmente, deitar na cama e descansar. Voltei ao meu posto e estendi um braço para pegar minha prancheta, também era material de trabalho. Mas fui impedido por um barulho estranho, alto demais para que eu ignorasse. Duas senhoras levantaram-se e foram até a janela, surpreendendo-se. E antes que eu pudesse me dar ao trabalho de tentar adivinhar o que tinha sido, o barulho dos motores de outros ônibus daquele terminal foram cortador por um choro intenso. Um choro de criança. Não sei o motivo, talvez meu instinto paterno tenha me feito prontamente levantar de minha cadeira e descer daquele ônibus, assustado, preocupado… Sem muita dificuldade tomei a criança nos braços e quando seus familiares se aproximaram eu já tentava consolar o pequeno garotinho. Este assustado demais para que seu choro cessasse. Entrei com ele no ônibus para em uma tentativa mascaradamente calma de distrair o garoto. Apontava coisas aleatórias ao longe, mas ele continuava a chorar. Logo meu companheiro tirou do bolso duas balas e assim tentei animar aquela frágil criança que, nesse momento, acredito ter continuado chorando mais pelo susto que pela própria dor. Entreguei as balas de meu companheiro a ele e saí do ônibus ainda com a criança no colo. Ele parecia ter se acalmado e isso me fez sorrir, fiquei ali acalmando o pobre menino e suspirei ao ouvir o ônibus sendo ligado, minha pequena pausa havia acabado. Enquanto mais pessoas entravam no ônibus correndo, desta vez com motivo, entreguei-o no colo de seus familiares e quando me virei para entrar no ônibus e voltar ao trabalho, seu choro cortou meus ouvidos novamente, histérico e desesperado. Corri um olhar de reprovação às pessoas que ali estavam e haviam se mobilizado no momento da queda da criança. Não para ajudar, mas sim, para ver o que acontecia. Simplesmente para ver. “Porta fechando”, aquela gravação tão habitual que até mesmo quem não trabalhava com ela todos os dias já sabia seu tom e particularidades e, assim, a porta de fato se fechou. Peguei minha prancheta e evitei olhar para a criança que permanecia com o bracinho estendido em minha direção, me cortaria o coração em pedaços. Preenchi os dados necessários e, antes que a volta do ônibus se fizesse completa pelo terminal, a voz de meu companheiro me aconselhara a me despedir da criança. Algo que, por dentro, eu queria fazer. Não sabia se era o certo, mas com sua aprovação, abri a janela do ônibus e coloquei o rosto para fora. Sorri para ele sem me incomodar com a brisa gélida daqueles quase 12 graus em contato com minha pele. O menino não chorava mais, mas seu braço continuava estendido, seu rosto ainda molhado pelas lágrimas estava vermelho e, assim, saímos do terminal. Para você, caro leitor, essa história poderia se acabar aqui. Mas tal acontecimento continuou em minha mente durante um certo tempo daquele trajeto tão conhecido, tão repetido. Se eu pudesse descrever meu trabalho em uma palavra seria “repetição”. Aquelas ruas tão conhecidas, vistas várias vezes por dia, sem mudança alguma. Se eu estivesse em um programa cômico, poderia ter uma música como aquela do “A Praça é Nossa”. “A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores e o mesmo jardim”. Mas meu jardim é diferente, é frio, cinza e áspero. Fiquei sentado em um dos bancos preferenciais bem no começo do veículo. Não conversei muito com meu companheiro como de costume, as fiquei ali, olhando as ruas, casas e comércios passarem com o pensamento longe, mais precisamente, no terminal. Até que aquele apito soou. Quase que fui tirado de meus pensamentos, mas não foi o suficiente. Já quase na metade do trajeto, uma moça me chamou e isso me fez acordar, se é essa a palavra que eu devo usar. Ela perguntava e pedia para descer em uma rua entre os pontos, não é o certo, mas concordei e assim, meu companheiro parou para ela. Tomei meu posto, ela agradeceu, e ali, voltei à rotina. Apenas uma moça me observava desde o começo, parecia até que gravava meus movimentos e ações, como se fosse escrever isso em algum lugar. Ela então se levantou e, antes de sair do ônibus, me desejou boa noite. Sorri e retribui, dando logo em seguida o sinal para que meu veículo continuasse ligeiro, contando as horas novamente para então poder ir para casa.

Estava frio, demais até para mim. Eu preferia ficar em casa vendo tv e comendo alguma coisa gostosa, na minha cama quentinha. Eu tinha uma manta verde, minha preferida. Daria tudo para estar com ela agora. Meu pai segurava minha pequena irmã no colo e eu estava no chão, acompanhado de minha mãe e meu tio, irmão mais novo dela. Eu só entendia essa coisa de irmão e irmã porque eu tenho a minha, mas ainda me confundo um pouco. Tinha um ônibus cor de laranja parado e desligado, perto de onde eu fui brincar, nosso ônibus era vermelho e chegaria do outro lado, logo, segundo meu pai. Por um descuido, caí ali. E não me contive em chorar. Meus pais demoraram para perceber e, quando me deu conta, havia um homem estranho perto de mim. Eu não o conhecia, por que ele me pegava no colo? Por que ele tentava me acalmar? Ele era um estranho, mas mais estranho ainda era o fato de eu me sentir confortável e protegido em seus braços. Ele tentava falar comigo mas eu não entendia, minha dor não permitia que eu entendesse alguma coisa e, automaticamente, tudo que eu dizia entre o choro era “não quero”. Ele me levou até o ônibus laranja e ali ganhei balas de outro homem, os dois juntos era simpáticos e isso me acalmou. Mamãe diz para que eu não fale com estranhos, mas à essa altura até ela já conversava com aquele primeiro. Eu gostei dele, só estava esperando meu fôlego voltar para que eu o convidasse para jogar bola comigo na escola um dia, mas ele me entregou ao meu tio e se virou. Em um último suspiro, tudo que eu consegui foi gritar e, o medo de nunca mais ver aquele homem, me fez chorar de novo. Estendi o braço em uma tentativa de alcançá-lo de volta, mas era tarde, ele já estava dentro do ônibus com as portas fechadas. Assim, caminhamos até a plataforma, enquanto meu tio dizia palavras que eu fingia que me acalmavam, sendo que meu silêncio, era apenas para permitir que meus olhos fossem melhores na busca por aquele homem tão gentil. Quando o vi passando mais uma vez, com braço ainda esticado, balancei o pulso e a mão, me despedindo daquele homem até não enxergá-lo mais. Minhas lágrimas molhavam meu rosto, deixando-o cada vez mais frio. Bocejei e escondi o rosto no ombro de meu tio. Já estava cansado, definitivamente iria tirar um cochilo. Mas a imagem daquele homem em minha mente, me fez sorrir antes de dormir.
